A natureza, o inconsciente e o místico resultaram na arte da técnica (ou na técnica da arte) de polvilhar uma casa com areias (ou seria povoá-la com memórias?), provando que aquilo nunca foi deserto.
Ao reabrimos as portas há tempos fechadas, ouvimos o som de areia de várias mulheres, grãos de uma só Goiandira: a artista, professora, declamadora, modista, poeta, dançarina, religiosa e, entre tantas mais, a carnavalesca, que festeja no presente as pontes sólidas que foram construídas ao longo dos últimos treze anos para que pudéssemos chegar inteiros com ela até aqui.
Ao longo desse período, e por meio do Ponto de Cultura Imagem da Memória e do Museu da Memória de Goyaz, a Cia Express’arte ajudou a manter de pé a memória de Goiandira do Couto desde a sua morte (2011), promovendo e realizando curtas-metragens, debates, oficinas, exposições, recitais e campanhas como “E agora, Goiandira?” – iniciativa de caráter questionador que promoveu ações visando a reabertura do Espaço Cultural Goiandira do Couto.
Depois de 13 anos, surte a resposta fomentada e esperada por todos: a reabertura da Casa de Goiandira do Couto que será, a partir de hoje, conduzida com todo carinho e respeito pela Associação Casa de Goiandira.
Em 2024, o Museu da Memória de Goyaz – reconhecido e premiado pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), como Ponto de Memória -, que possui reproduções do acervo iconográfico de Goiandira ora exposto, une-se à Associação Casa de Goiandira para reinaugurar e celebrar este tão esperado espaço de memória, dedicado àquela que construiu sua arte como quem faz a própria casa e por isso continuará sempre a habitá-la.
Você que aqui entrou, seja também bem-vindo(a) para ficar.
A exposição “Goiandira – Som de areia que já foi casa ou ponte, e não deserto…” foi produzida pelo Museu da Memória de Goyaz na casa da artista Goiandira do Couto que estava fechada desde a sua morte em 2011.
A convite de Giovana Vellasco nova proprietária da casa e Presidente da Associação Casa de Goiandira o Museu da Memória de Goyaz que possui acervo iconográfico digital da artista além da concepção/curadoria e preparação de toda exposição, cuidou também da limpeza da casa que há 13 anos estava fechada.
Para a limpeza estavam presentes os colaboradores: Lázaro Ribeiro, Ubenise Ribeiro e Mateus Gustavo.
Além da limpeza foram selecionados pertences e móveis da artista que compôs cada cômodo da Casa-Museu, remontando o cenário o qual viveu a artista.
A exposição fotográfica compõe cada ambiente da casa: corredor, sala, quarto, varanda e ateliê da artista, trazendo os registros de vários momentos de Goiandira: família, infância, juventude, maturidade, amigos e arte.
Além das fotografias do Museu da Memória de Goyaz, acervo da fotógrafa Cidinha Coutinho, colecionadores e amigos de Goiandira emprestaram quadros de areias produzidos pela artista que ficaram expostos durante a 25ª edição do FICA (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental) o qual Goiandira foi tributada em vida nas III e X edições.
Para a montagem de cada ambiente contamos com a colaboração de Maria Dulce Teixeira, Giovana Vellasco, Josimar Bruno, Mateus Gustavo, Nádia Vellasco. Montagem da Exposição fotográfica: Lázaro Ribeiro e Patrícia Mousinho.
Ekebanas: Terezinha (Tia Tê) e Helle Coutinho, montagem da mesa de areias coloridas foi convidado o artista Plástico Auriovane D’Ávila.
Além das impressões fotográficas e banners, tivemos um trabalho de comunicação e de produção de vídeos com acervos do cineasta Lázaro Ribeiro de entrevistas com Goiandira Couto onde ela narra sua própria história.